O dízimo e o Novo Testamento

Doutrina que tem gerado polêmica e confusão, mar de incertezas onde muitas almas têm naufragado ao procurar vivê-la, se trata justamente da obrigação ou não de se dizimar, ou, devolver ao Senhor dez por cento do que se ganha.

A primeira vez que a Palavra de Deus nos fala sobre dízimos foi quando Abrão (antes de Deus mudar-lhe o nome), regressava da matança dos reis (Genesis 14: 20) e (Hebreus 6: 2), e de lá para cá, passando por Genesis 28: 22; Levítico 27: 30; Números 35: 1 a 8; II Crônicas 31: 2 a 6; II Crônicas 31: 12; Neemias 13: 10 a 12; Amós 4: 4; Malaquias 3: 7 a 12, e tantas outras passagens bíblicas demonstram, claramente, a necessidade do povo Israelita em dizimar, para cumprimento de toda a Lei.

O dízimo, como obrigação e obediência a Deus, não surgiu com Abrão porque ele, quando deu o dízimo de tudo, o fez como oferta e não por obrigação. O próprio Senhor Jesus esclarece: “João 8: 56 – Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.”

Abrão viu a Cristo como Sumo Sacerdote, na pessoa de Melquisedeque, porque Cristo é sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque. E, se é eterno e existe somente um Sumo Sacerdote eterno, fica bem claro que Cristo era o próprio Melquisedeque, revelando-se a Abraão como Ele será no fim dos tempos, quando enfim estiver reinando eternamente.

Por isso a alegria de Abraão, o qual poderia ter dado não somente o dízimo, mas até cem por cento de tudo, mas a Igreja não está obrigada a dar qualquer quantia que não seja aquela que Deus colocou no coração de cada um, assim como fez com Abraão.

O Novo Testamento nos mostra que não existe mais esta obrigatoriedade legal, porque se antes o homem precisava praticar toda a Lei, hoje tudo se fez novo e o preço da salvação foi pago pelo sacrifício de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Desta forma o homem que aceita Cristo em sua vida deixa as coisas mundanas para traz e passa a ser uma nova criatura, vivendo não mais na carne, mas, sendo renascido da água e do espírito, vive uma vida espiritual de sinceridade e amor sem a necessidade de fazer ou deixar de fazer alguma coisa para ser salvo.

O dízimo era obrigação na dispensação da Lei porque os Levitas, não tendo recebido terras como herança, tinham seu trabalho como zeladores da Lei e viviam dos dízimos das outras onze tribos de Israel (Malaquias 3:10). E, pela Lei, quem não devolvesse o dízimo era ladrão (Malaquias 3:8).

Hoje a salvação não depende mais de se praticar isto ou aquilo porque já não temos mais pecados, porque tendo recebido o Nome do Senhor Jesus Cristo no batismo alcançamos a salvação pelo sacrifício dEle, portanto, não precisamos fazer mais nada para sermos salvos, apenas passar a viver da forma como Ele nos ensinou, fazendo as obras do Espírito, e não mais da Lei ou da carne. Exemplos maravilhosos da vida cristã estão relatados em Atos 2: 42 a 47 e Atos 4: 32 a 37.

Note que ali todos tinham tudo em comum, e tudo era “depositado” aos pés dos Apóstolos e em tudo havia comunhão. Ora, se era assim fica evidente a desnecessidade de se devolver o dízimo.

Agora, é de suma importância que entendamos que este conhecimento não é de todos, e o que vemos é o ensinamento nas Igrejas de que é necessário dizimar, sob pena de não ser salvo aquele que não cumprir tal “ordenança”. É claro que é preciso contribuir, mas não com aquela quantia de dez por cento, e ainda por obrigação, mas sim com cem por cento do que Deus colocou em cada coração, ou seja, com quanto cada um sentir por Deus.

 

II Coríntios 9:7:

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria (como também fez Abraão).

Veja em Lucas 18: 11 a 14, onde Deus não recebeu a oração daquele que entregava o dízimo, mas se compadeceu daquele que se humilhou:

Lucas 18:11:

O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos adúlteros; nem ainda como este publicano.

18:12: Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.
18:13: O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!
18:14: Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

Temos ainda vários outros versículos que nos ensinam.

I Timóteo 6:17:

Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos;

I João 3:17:

Quem pois tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele a caridade de Deus?

A contribuição, além de ser voluntária e feita com alegria, deve ser conforme aquilo que cada um sentiu de Deus em seu coração, e deve ser usada para ajudar aos irmãos necessitados, para ajudar também aqueles que se aplicam em difundir o Evangelho (II Coríntios 9: 12); (I Timóteo 5: 17 e 18).

O amor a Deus acima de tudo, e aos irmãos, será demonstrado na medida de nossa fé não pela quantia em dinheiro ou bens que entregamos para a Igreja, mas pela nossa disposição em ajudar conforme ensinou-nos o Senhor Jesus.

Temos que tomar cuidado para não nos deixar enredar pela cobiça, pelo desejo de bens materiais.

I Timóteo 6:10:

“Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nesta cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

Recordemos o que ocorreu com Ananias e Safira, os quais, possuindo uma herdade a venderam e retiveram parte do preço para eles, e foram entregar o restante aos apóstolos. É certo que eles estavam entregando mais do que dez por cento do que haviam recebido, no entanto, Deus os matou porque mentiram. Mas, se a obrigação fosse a entrega do dízimo apenas, certamente não teriam morrido (Atos 5: 1 ao 11).

Chegamos à conclusão de que, para sermos salvos não é preciso entregar apenas dez por cento do que ganhamos, mas sim estarmos prontos e com fé suficiente para entregarmos a própria vida em testemunho do Senhor Jesus Cristo.

O Senhor Jesus disse ainda que se a nossa justiça não excedesse à dos escribas e fariseus não teríamos salvação; portanto, se eles entregavam o dízimo de tudo, devemos entregar muito além do dízimo, que são as ofertas e tudo aquilo que o Senhor Jesus colocar em nosso coração, porque assim diz a escritura, que cada um contribua com aquilo que sentir em seu coração, e que o faça com alegria para a glória do Senhor Jesus (II Coríntios 9: 7).

Deixar de dar o dízimo não implica em deixar de contribuir; portanto, não coloque limites para aquilo que Deus exige de você, porque o amor de Deus não experimentou limites para nos dar a salvação.

Que Deus nos abençoe agora e sempre, e que possamos sempre ouvir a Sua voz em nossos corações, e obedecê-la. Amém.

Pr. Eugenio Carpigiani Neto