A retirada da Igreja para o deserto

(Versão menor do estudo, sem a transcrição de todos os versículos)

       O Senhor Jesus nos ensinou para não desprezarmos as profecias, veja em I Tessalonicenses 5:20, e que tudo que Ele fosse fazer revelaria aos seus servos, os profetas – Apocalipse 10:7.

          Esta promessa de revelação vem desde a antiga Aliança, e vemos uma delas em Isaías 42:9 que diz: “Eis que as primeiras coisas já se cumpriram, e as novas eu vos anuncio, e, antes que venham à luz, vo-las faço ouvir”.

          É, portanto, muito importante que prestemos atenção às profecias, e não somente àquelas contidas na Antiga Aliança, mas também às que nos foram dadas pelo Senhor Jesus Cristo, Seus Apóstolos e servos.

          Dentre elas está o anúncio da volta do Salvador e de como ela se dará, quais serão os sinais e, especialmente, como devemos nos preparar para esse glorioso momento.

          Sabemos de antemão que ocorrerá um arrebatamento da Igreja, e sabemos também que Igreja não é uma organização humana com um nome colocado por homens, dirigida por uma diretoria, pastores e presidentes, mas trata-se do corpo do próprio Cristo e de Seus membros em particular como ensinado pelo Espírito Santo. (I Coríntios 12:27).

          Vemos que no arrebatamento os mortos ressuscitarão primeiro, depois nós, os que estivermos vivos, seremos transformados e arrebatados juntamente com eles nas nuvens a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos PARA SEMPRE com o Senhor. (I Tessalonicenses 4:15 a 17).

          Então já temos aqui alguma coisa profética para interpretarmos, que é primeiramente a compreensão do que seja o arrebatamento. Ora, isso está bem claro porque diz a profecia que os mortos em Cristo serão ressuscitados primeiro, e depois nós, os que estivermos vivos, seremos transformados e arrebatados juntamente com eles nas nuvens a encontrar o Senhor nos ares. Portanto, arrebatamento significa que a Igreja será elevada ao ar para encontrar-se com Cristo.

          É importante sabermos que a partir do cumprimento dessa profecia da ressurreição dos mortos em Cristo, e da transformação dos vivos, a qual consiste na transformação do corpo físico em corpo espiritual, estaremos para sempre com o Salvador Jesus Cristo.

          Nessa ocasião será cumprida outra profecia que vemos registrada em I Coríntios 15:54 e 55 a qual está assim revelada: E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória; Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?”

          Está bem evidente que o arrebatamento nos levará a Cristo, e não a um lugar preparado no deserto onde seremos sustentados por um tempo, tempos e metade de um tempo.

          Note ainda que ninguém nos levará a encontrar Cristo nos ares, ou seja, nenhum anjo nos conduzirá. Não será por nosso poder ou esforço físico que nos elevaremos, mas subiremos pelo poder de Deus, por Sua vontade, pela autoridade dEle que venceu a morte, subiu ao céu e Lhe foi dado todo o Poder, inclusive para resgatar a Sua Igreja.

          É também importante que tenhamos essa compreensão.

          Sabendo deste grande acontecimento, como então poderemos nos preparar para fazermos parte dos que irão encontrar o Senhor nos ares, seja por ressurreição, seja por transformação do corpo físico em espiritual?

          O Senhor nos revela, no entanto, que ANTES desse dia, ou, antes de Sua volta e do arrebatamento, é necessário que o mundo rejeite totalmente o Seu sacrifício e escolha servir a satanás, e, para que isso aconteça é da mesma forma necessário que venha a apostasia para que o homem do pecado se manifeste. Essa profecia está em II Tessalonicenses 2:1 a 4.

          Para melhor compreensão da profecia precisamos entender o que seja apostasia. Essa palavra é de origem grega e significa, grosso modo, o abandono da fé, da confiança, do serviço e obediência a Deus, da busca sincera e contínua da salvação trazida gratuitamente por Jesus Cristo.

          Um exemplo de apostasia nas escrituras e das conseqüências dessa atitude estão bem demonstradas em Hebreus 6:4 a 6, e Hebreus 10:25 a 31. Pode-se dizer que apostasia também é um dos pecados contra o Espírito Santo, o qual não tem perdão nem neste século, nem no vindouro. (Marcos 3:29; Lucas 12:10; Mateus 12:31 e 32; Atos 5:4).

          Pelo que nos revela o Espírito de Deus até aqui nos traz a certeza inabalável, porque firmados nas promessas de Cristo, de que haverá um dia em que com Ele nos encontraremos e com Ele permaneceremos eternamente, e isso já com um corpo espiritual que nunca morrerá.

          Sabemos também que, para que isso aconteça, é necessário, ou seja, certamente acontecerá que o mundo rejeite a Cristo e passe a servir e adorar a criatura e não o criador que é bendito eternamente, conforme também profetizado em Romanos 1:25.

          O próprio Senhor nos alertou que ele veio em nome de Seu Pai e O rejeitaram, mas se viesse outro em seu próprio nome a esse aceitariam, (João 5:43), nos mostrando que um homem não enviado por Deus iria estar à frente do mundo, mas não dos verdadeiros adoradores porque estes sabem que “em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).

          A profecia nos revela que o surgimento desse homem iníquo é um dos sinais para os filhos de Deus, sendo que nesse tempo já deveremos estar bem preparados, com nossas lâmpadas acesas e cheias de azeite porque virão terríveis trevas ao mundo quando ninguém mais poderá trabalhar (João 9:4).

          O Senhor nos mostra que entre o surgimento do anticristo e o arrebatamento da Igreja ocorrerá o tempo da chamada "grande tribulação", conforme profetizado em Mateus 24:14 a 44.

          É sempre necessário lembrar que a palavra profética não segue ordem cronológica e não se sujeita ao entendimento humano, mas é sempre fiel ao que Deus fala aos homens.

          Um exemplo disso está registrado em Gênesis, onde diz que a serpente iria ferir o calcanhar do homem, mas este lhe pisaria na cabeça. Ora, realmente aconteceu conforme Deus profetizara, porque profecia é promessa de Deus.

          Não se poderia esperar que isso fosse acontecer já naqueles dias, porém no tempo certo e da forma correta, com os servos escolhidos, preparados e cheios da graça de Deus a profecia se cumpriu exatamente como Deus prometera: a serpente feriu o calcanhar do homem – Adão, mas o homem – Cristo, o segundo Adão – pisou na cabeça da serpente se tornando vitorioso eternamente.

          Vejamos agora o sinal para nossa fuga para o deserto, o qual está assim profetizado: “quando virdes a abominação desoladora de que falou o profeta Daniel está no lugar santo”, então chegado é o momento da revelação do anticristo conforme a profecia de Mateus 24:15; e também de II Tessalonicenses 2:3 e 2:8, e da nossa retirada para um lugar já preparado por Deus, e não pelo homem: Apocalipse 12: 13 a 17.

          A abominação desoladora é a manifestação de satanás que irá dominar o mundo, como profetizado na carta II Tessalonicenses 2:4, que diz que ele “se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.”

          Quando ele iniciar seu reinado as pessoas terão grande esperança de que surgirá um mundo melhor, pois ele fará um concerto com muitos por sete anos, e o mundo se alegrará dizendo que existe paz e segurança, mas, no entanto, lhes sobrevirá repentina destruição (I Tessalonicenses 5:3).

          O Senhor Jesus nos alerta para que fujamos. Quem estiver na Judéia fuja para os montes, quem estiver no telhado não desça a pegar alguma coisa em casa, e quem estiver no campo não volte para a cidade, porque serão dias de grande aflição.

 

Mateus 24: 21 a 28:

21 - Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.

22 - E se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.

23 – Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito;

24 – Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

25 – Eis que eu vo-lo tenho predito.

26 – Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.

27 – Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.

28 – Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias.

 

          Mas como saber quando e para onde fugir? O Senhor já disse para que os que estiverem na Judéia devem fugir para os montes, mas e os demais para onde irão visto que a Igreja está espalhada sobre toda a terra?

          O próprio Senhor nos faz recordar do que aconteceu com Ló e com Noé. Especialmente Ló e seus familiares foram conduzidos por anjos enviados por Deus para levá-los a local seguro, o que também se dará conosco.

          Vejamos em Apocalipse 12:13 a 17, onde está profetizado que serão dadas à mulher (Igreja), asas de grande águia para que voemos para o deserto onde já temos lugar preparado e seremos sustentados por um tempo, e tempos e metade de um tempo.

          Nesse período estaremos longe da vista da serpente, porque o inimigo irá numerar toda a terra, aquelas pessoas cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro, mas os escolhidos não serão numerados.

          Ora, quem não for numerado não poderá comprar ou vender, mas também não poderá ser monitorado, por isso estaremos longe da vista (do controle) da serpente.

          Deserto, portanto, é um lugar onde não poderemos trabalhar materialmente para sobreviver, não teremos compromissos materiais, horários a cumprir, patrões para obedecer. Estaremos à disposição de Deus vinte e quatro horas por dia, adorando-o e louvando-o. Este será nosso “deserto”, onde não haverá ninguém que não tenha sido chamado.

          Mas ainda temos algumas dúvidas quanto à forma desse vôo para o deserto, e então comparamos com Moisés, onde está também registrado que Deus tirou Seu povo do Egito sobre asas de águia e os livrou dos egípcios. (Êxodo 19:4).

          É por todos conhecido que o povo hebreu peregrinou no deserto por quarenta (40) anos, porém, isso aconteceu por causa da incredulidade deles, porque Deus operou maravilhas e os conduziu em terra seca atravessando o mar, lhes deu maná cotidiano, água extraída da Pedra, os guiou com colunas de fogo e fumaça e fez outras maravilhas conduzindo-os pelo deserto, onde eles já tinham lugar preparado que era a terra prometida.

          Mas, chegando em Cades-Barnéia a incredulidade veio ao coração do povo e se recusaram a entrar na terra prometida mesmo depois de todas aquelas maravilhas.

          Assim vemos que o mesmo Poder que guiou o povo no deserto nos guiará ao lugar preparado, onde seremos sustentados por três anos e meio, o que deixará o inimigo muito furioso, a tal ponto que se não fossem abreviados aqueles dias nenhuma carne se salvaria.

          É de particular importância essa parte da profecia porque ela nos mostra que nenhuma carne seria salva se não fossem abreviados aqueles dias, o que indica que os salvos, ou seja, a igreja, ainda estará aqui, em carne, sendo perseguida e correndo o risco de perder a salvação.

          Quando perguntado onde esses fatos se dariam, como vemos em Lucas 17: 26 a 37, o Senhor respondeu no versículo 37: “Onde estiver o cadáver aí se ajuntarão as águias”. Isso quer dizer que um corpo morto não vai até a águia, mas a águia é que vai até o corpo. Está então sendo revelado que não seremos nós que iremos até os anjos, ou até o local preparado, mas os anjos virão até nós e nos conduzirão.

          O Senhor Jesus nos adverte e ensina mais também com a parábola das dez virgens, sendo que cinco eram prudentes e cinco loucas. Ora, as prudentes se encheram de azeite que é o Espírito Santo, e as loucas não.

          Isso nos ensina que o momento de nos enchermos do azeite celestial (Espírito Santo) é agora, e isso se faz cumprindo e vivendo a Palavra de Deus e obedecendo a Sua vontade, ou seja, praticando o amor, a verdade, a sinceridade, a justiça celestial, perdoando para ser perdoado, não julgando a ninguém e fazendo o bem a todos, principalmente aos domésticos da fé.

          As virgens loucas são aquelas que embora sendo escolhidas por Cristo, se distraíram com as coisas desse mundo e buscaram somente as coisas materiais, fazendo apenas a vontade da carne e não buscaram se encher do azeite, as obras do Espírito Santo, por isso quando chegar a noite e ninguém mais puder trabalhar só as candeias que estiverem cheias de azeite é que vão estar acesas.

          Quem ganhar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida POR AMOR DE MIM, a salvará. (Lucas 9:24; Mateus 16:24; Marcos 8:35).

          O Senhor nos instrui ainda quando fala sobre a parábola de sua vinda, e alerta quando diz que dois estarão em uma cama, e um será levado e outro deixado. Dois estarão no campo, um será levado e outro deixado.

          Note que nesta parábola o Senhor não menciona que um subirá ou será arrebatado e outro ficará, mas que um será levado e outro deixado, indicando que será como no tempo de Ló, quando os anjos apareceram para lhes anunciar a iminente destruição das cidades impenitentes.

          Quando a Igreja estiver no deserto o inimigo lançará de sua boca água como um rio, para tentar tragar (enganar) a Igreja, mas a Terra ajudará a Igreja. (Apocalipse 12:15).

          Se a Igreja já estivesse com Cristo nessa ocasião seria impossível que fosse tentada, porque já estaríamos em um corpo espiritual e a tentação vem somente para a carne. (I Coríntios 10:13).

          Portanto, temos plena convicção pela graça e misericórdia de Deus, nosso Pai e Salvador, que a Igreja deverá ser retirada para o deserto, para seu lugar, onde será sustentada pelo tempo necessário, enquanto que este mundo viverá terrivelmente nas mãos do maligno.

          A Palavra de Deus nos ensina que somos a Luz do mundo e o Sal da terra. Ora, se a luz é tirada de um lugar restará apenas escuridão, ou, o maligno (quão terrível será então para que continuar a viver no mundo). Se o sal for retirado do alimento este não terá mais sabor. Assim estará o mundo sem a presença da Igreja, a qual estará reservada por Deus em um lugar abençoado e santo.

          Que você também possa fazer parte destes retirantes, que como os hebreus foram retirados da escravidão e levados para uma terra prometida, assim também nós todos participemos desta jornada no deserto, quando nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo nos retirará da escravidão do pecado e do mundo, e nos levará para si mesmo, nas mansões celestiais que já estão preparadas. Glórias a Deus e ao Cordeiro, que é digno de todo louvor, de toda a honra e de toda a glória, agora e eternamente amém, e amém.

          Faça uma leitura final em I Tessalonicenses 5:1 a 10.

          Saudações cristãs com santo ósculo.

          Eugenio Carpigiani Neto. (08/12/2013).