Ceia: como cumprir este mandamento

A ceia foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo quando participou pela última vez da páscoa.

Esta comemoração (Páscoa), descrita no capítulo 12 do livro de Êxodo, determinava que cada família separasse um cordeiro ou cabrito, sem manchas, macho de um ano, e este animal deveria ficar separado desde o dia 10 até o dia 14 daquele que passou a ser o primeiro mês do ano, quando então era sacrificado na tarde daquele dia. O sangue tinha que ser recolhido em uma bacia e sendo tomado um hissopo, seria molhado no sangue e passado em ambas as umbreiras e na verga da porta das casas em que aquele sacrifício fosse comido; este era o sinal, e Deus não iria ferir quem estivesse naquela casa, sendo que ali existiria a vida, enquanto que nas casas onde não existisse o sangue morreriam todos os primogênitos, desde o homem até o animal.

Assim, do dia 14 até o dia 21 daquele primeiro mês nenhum fermento poderia ser encontrado nas casas dos Hebreus, e nada que fosse fermentado poderia servir de alimento. Esta era a páscoa do Senhor (Êxodo 12: 18 ao 23).

O Senhor JESUS CRISTO é o “Cordeiro de Deus que Tira os Pecados do Mundo” (João 1:29; Isaías 53:7 e 11), e Ele é o sacrifício que nos dá a vida, como está escrito no Evangelho de São João, capítulo 6, versículos 48 a 59. Transcrevemos alguns.

Evangelho de João:

6:48: Eu sou o pão da vida.

6:51: Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.

6:53: Jesus pois lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.

6:54: Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no ultimo dia.

6:55: Porque minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.

6:56: Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

6:57: Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.

Ora, na páscoa os Hebreus comiam um cordeiro ou cabrito, sem manchas, e, sendo o Senhor Jesus o cordeiro de Deus (João 1:29), a ceia está, portanto, sendo uma substituição da páscoa. Porém, agora não mais com coisas materiais, mas sendo vivida pela fé; isto é, quando comemos o pão sabemos que estamos nos alimentando da carne de Cristo, e quando bebemos o mosto sabemos que estamos bebendo o sangue de Cristo, porque, como disse Ele, “minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida”.

Como aqueles que se alimentavam do cordeiro e colocavam o sangue de um animal na porta tinham vida, agora aquele que participa da ceia do mesmo modo tem vida em si mesmo por Jesus Cristo, mas agora vida eterna.

Vemos então que é uma necessidade participar da ceia, porque se alguém não se alimenta de Cristo não tem vida em si mesmo.

O pão que representa o corpo de Cristo não pode ter fermento (I Coríntios 5:8) ou a adição de qualquer outro produto que não sejam aqueles necessários para sua fabricação comum – ou seja: farinha de trigo, sal, azeite e água.

A polêmica maior, porém está no fato de ser vinho ou mosto que deva ser servido. O mosto nada mais é do que o suco da uva, espremida poucas horas antes de ser realizada a ceia, porque foi isto que fez o Senhor, como se vê nos Evangelhos de São Mateus 26: 17 ao 30; Marcos 14: 12 ao 26; Lucas 22: 7 ao 23 e João 13: 1 a 17.

Por estes versículos vemos que o Senhor mandou os discípulos prepararem (e não comprar pronta) a páscoa, e no mesmo dia, à tarde, foi com eles e realizou a ceia. Em nenhum momento a bíblia nos diz que o Senhor bebeu vinho, mas fala sempre “o fruto da vide”, “o cálice”, e etc.

Ora, se o corpo do Senhor, que é representado pelo pão (Mateus 26:26), não pode ter fermento porque o fermento representa o pecado, tão pouco o sangue do Senhor pode ser fermentado, por isso deve ser representado pelo mosto (Mateus 26:27 e 28). E isto porque MOSTO é o suco da uva antes da fermentação, e VINHO é o suco da uva já fermentado. Além disso, a bíblia nos mostra que o Senhor tomou a ceia no mesmo dia em que ela foi preparada (não comprada pronta), e evidentemente não seria possível fazer vinho em poucas horas. Se o pão deve ser ázimo (sem fermento), assim também o mosto deve ser sem fermentação.

Você pode dizer que na carta I Coríntios 11:21 está escrito que “outro embriaga-se”, e que isto demonstraria que bebiam vinho, mas em Atos 2:13 também diz que “outros zombando diziam que estavam cheios de mosto”, de onde se vê que mosto também embriaga (desde que ingerido em grande quantidade). Existe ainda o testemunho mentiroso dos escribas e doutores da lei, em Mateus 11: 16 a 19, e Lucas 7: 31 a 35, que diziam que João Batista tinha demônio, e que o Senhor Jesus era bebedor de vinho e comilão. Você acredita em tais testemunhos?

Aí está, portanto a grande, porém simples, verdade sobre a ceia.

Pr. Eugenio Carpigiani Neto